segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Capítulo IV - Aginnan

Aginnan acorda e finalmente se lembra onde está.
“Como diabos vou sair daqui é a preocupação no momento, será que meu amigo chifrudo já acordou?”
Dundra parece despertar também e os dois ainda perdem alguns minutos tentando sair. As ameaças ao capitão do barco não parecem fazer efeito e algum tempo depois Aginnan finalmente sente a voz de Sygrunn em sua mente. Ele diz que convenceram os tripulantes e o capitão de que seus prisioneiros estavam doentes e assim seriam libertados.
Ao sair do conteiner e um tanto irritado por ter sido enganado com tanta facilidade diz:
- Ora ora, será que o capitão de tão bela embarcação terá a coragem de encarar um pobre Eladrin doente agora que ele está livre?
Percebendo então que tanto os tripulantes como aquele que parece ser o capitão se afastam dele e de Dundra como se temessem a tal doença criada por seus companheiros, Aginnan faz um corte em sua própria mão e segue manchando de sangue as paredes do navio. Sentindo-se muito bem consigo mesmo por enganar aqueles que o enganaram antes ele desafia novamente:
- Ora, vocês temem até mesmo meu sangue? Pobres tolos. E nenhum de você terá a coragem de me enfrentar como um homem?
Aos poucos e sem obter resposta Aginnan ri ao descer a ponte que o leva pra fora do convés e de volta ao porto. Virando-se uma última vez, encara o barco novamente e ignorando os avisos de seus companheiros ele volta a desafiar os tripulantes do barco:
-Vamos! Nenhum de vocês? Nem mesmo seu corajoso capitão?
Após essa frase uma flecha aterrisa ao lado de seus pés vinda do barco. Percebendo que não vai conseguir um duelo para acalmar seus nervos e seu orgulho ele dá as costas enquanto pensa que os valentes homens do mar parecem mais um bando de coelhos assustados.

Após os devidos agradecimentos pela libertação e o que pareceu uma pequena discussão entre o capitão da guarda do porto, Balin e Sygrunn, Aginnan e seus companheiros decidem buscar por mais informações sobre seu próximo destino, o qual concordam ser aquele conhecido como Fogo Fátuo, mas eles não tem mais cavalos, e chegar a qualquer lugar tomaria muito tempo e recursos. Dundra e Balin parecem convencidos que talvez possam enganar a guarda da cidade, fingindo se alistar, e assim conseguir cavalos. Aginnan resolve acompanhá-los e após uma breve conversa com um dos guardas eles percebem que o treinamento exigido levaria muito tempo, e comprar os cavalos também não era uma opção. Enquanto pensam em uma nova solução percebem que Sygrunn resolveu tocar pelas ruas da cidade, provavelmente tentando conseguir algum dinheiro. Aginnan tem uma idéia e resolve ajudar seu companheiro na empreitada. Enquanto sente o peso de suas facas para se certificar que estão alinhadas ele diz:
-Ei garoto diabo, encoste na parede. Não é só o bardo que tem habilidades que servem para um show de rua.
Meio contrariado Dundra se encosta na parede, e Aginnan atira facas ao redor dele, o que começa a atrair ainda mais público. Algum tempo depois eles arrecadaram uma boa quantidade de moedas, mas ainda não o suficiente para um cavalo.

Felizmente Balin parecia ter algum dinheiro guardado, que somado com aquele que Aginnan guardava em nome do grupo e o arrecadado por eles era o suficiente para que eles conseguissem as montarias e seguissem viagem. Ocultar recursos daquela forma não parecia uma atitude sensata de Balin aos olhos de Aginnan, mas mesmo assim ele nada disse.

Enquanto viajavam Aginnan pensou nos últimos acontecimentos e percebeu que talvez aquilo fosse demais para ele, mas seu orgulho não permitia que ele desistisse, não sem saber ao menos quem ele realmente era. Talvez fosse hora de mudar algumas coisas em sua forma de lutar, talvez não matar sem necessidade fosse um erro, ao menos num mundo que parecia cada vez mais complexo do que ele poderia compreender. E enquanto pensava em como poderia ser mais útil nos dias de viagem até as terras do elfos.
Mesmo tendo passado pela cidade durante a viagem até  Phortin, provavelmente devido a sua doença, Aginnan se lembrava de muito pouco, mas aquele lugar o encantava. Tudo parecia em equilíbrio, as construções elficas se moldavam de uma forma que pareciam parte da floresta, mas não podiam ficar. Tudo que sabiam até ali é que Fogo Fátuo buscava a estranha espada possuída por seu antigo companheiro Tubalcain e como se separaram dele em Anakhômiko, era pra lá que deveriam ir.

Enquanto descansavam numa taberna vieram as notícias sobre um anel. Haviam rumores de que estava na região, e que era outro dos artefatos buscado por Luigi Fogo Fátuo Satrianni. Por mais que seus companheiros parecessem interessados no item de origem anã Aginnan achava que o tempo que a busca por ele demandaria não era algo que eles possuíam, além disso um antigo companheiro poderia estar em perigo portando a espada, mesmo que fosse um companheiro humano não era um sangue que o Eladrin gostaria de ter em suas mãos. Balin principalmente parecia muito empolgado com a idéia de buscar o anel, e após uma pequena discussão ficou decidido que eles se separariam ali. Aginnan e Dundra iriam em busca da espada enquanto Balin e Sygrunn seguiriam em busca do anel.

Na manhã seguinte se despediram e no momento que se preparavam em seguir viagem vieram as desagradáveis noticias. Satrianni já estava em posse da espada. As possibilidades de que destino de Tubalcain tivera sido a morte eram muito grandes, mas Aginnan tentou não pensar nisso. Foram então todos juntos em direção às cavernas elficas onde possivelmente estaria o anel. Como sempre os estranhos rituais do bardo fizeram com que os cavalos parecessem mais rápidos e a estrada mais reta, e após uma viagem curta e sem grandes complicações eles chegaram ao que parecia ser a entrada de uma complexa rede subterrânea.

Aginnan ficou preocupado em entrar ali sem que eles tivesse uma forma de se guiar pelos corredores da caverna, e perdeu algum tempo queimando alguns galhos numa fogueira para que pudessem usar o carvão para se guiar lá dentro. Eles amarraram os cavalos numa área um pouco afastada, onde não podiam ser vistos da estrada e tivessem o que comer e beber. Quando finalmente entraram o que viram não foi uma cena amigável: a escuridão tomava conta do lugar, e água parecia vir de lugar nenhum pelas paredes da caverna. O carvão já se tornara inútil como forma de localização.
Sygrunn resolveu o problema quebrando uma garrafa, pois deixariam os cacos nos corredores para terem um jeito de voltar depois. Para Aginnan aquilo parecia uma versão macabra de uma história infantil, mas sem pensar muito no assunto foram adiante.
Após algumas horas caminhando pelos longos corredores, e uma última descida particularmente íngreme na qual Balin e Sygrunn escorregaram e teriam se machucado gravemente não fosse pelo ágil salvamento do ladrão, chegaram a outro desafio. Havia um rio subterrâneo freando o avanço do estranho grupo. A correnteza era forte, e não parecia uma boa idéia tentar nadar através dele, mas já cansado das piadas que o destino vinha pregando, Aginnan resolveu correr o risco. Com uma ponta da corda segura por seus companheiros e outra amarrda a sua cintura, numa demonstração de força e habilidade o ladrão  alcançou a outra margem do rio. Mantendo a corda segura daquele lado seus companheiros poderiam atravessar. O primeiro a fazê-lo foi o mago, que conseguiu sem muitos problemas, mas quando chegou a vez de Sygrunn, o bardo foi puxado pela correnteza. Tendo apenas a corda para se segurar e sem a força necessária para ir contra a força das águas Aginnan saltou para ajudá-lo, mas não foi o suficiente. A última coisa que Aginnan ouviu enquanto era levado pela correnteza com o bardo foram seus companheiros se lançado na água para tentar ajudá-los.

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