sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Capítulo III

Nossos aventureiros acordam no dia seguinte e seguem viagem procurando a cidade mais próxima para poderem tentar se recuperar, seus ferimentos estão com aparência de podre e progredindo como se tivessem estragado a pele e a carne.
Após mais três dias de viagens sendo importunados pelas criaturas abissais, o grupo chega às portas de Anakhômiko, a incrível cidade dos anões. Balin se sente revigorado, pois sabe que conhece aquele lugar e é provável que possua alguma história de sua vida ou lembrança de seu passado.
Ao entrarem na cidade, Aginnan fica maravilhado com o enorme salão principal todo rodeado de jóias que emitem luz em todas as direções e reluzem o ouro das paredes e a platina do chão. Porém o grupo chama bastante atenção por ser tão exótico, pois Eladrins e Tieflins são seres raros de se encontrar. Logo muitos anões e humanos no local começam a observar sua movimentação.
Voltando ao assunto que era mais urgente, Aginnan se vira para um dos guardas de serviço e lhe pergunta: "Há algum clérigo que possa nos ajudar?"
- Qual o tipo de ajuda que vocês precisam?
Aginnan mostra seus ferimentos ao guarda que pede para que eles sigam a ala médica das cavernas.
Ao se dirigir a ala médica, o grupo é surpreendido por um ser de aparência humana que se apresenta docemente pelo nome de Sygrunn e pede para que o grupo conte suas histórias.
Sygrunn é um bardo que viaja muito pelas terras desse mundo em busca de histórias e gosta de contar sobre os espíritos Quori.
- Não temos tempo agora pra isso e mal sabemos de nossas histórias. - diz Aginnan irritado por achar que Sygrunn é um humano.
- Posso acompanhá-los então? - Pergunta Sygrunn intrigado com o grupo exótico.
- Por que deveríamos confiar em você? - Pergunta Dundra
- Sou apenas um bardo interessado nas histórias dos aventureiros e cidades. Gosto de cantar suas histórias nas tabernas e nas ruas.
- Não podemos perder mais tempo. Se quiser, pode nos acompanhar. - Diz Tubalcain enquanto segue para a  ala médica para encontrar algum clérigo que possa ajudá-los.
Chegando a ala médica, o grupo é atendido e Sygrunn observa atentamente a todas as perguntas e respostas dos clérigos, por fim, os ouve dizer que foram tocados pela mão podre dos seres infernais e que nada poderiam fazer ali.
Indignados com a resposta, todos começam a falar ao mesmo tempo, questionar, e cobrar os clérigos por uma solução até que um deles diz que "talvez, mas só talvez" haverá um clérigo humano na cidade de Phortin que os poderia ajudar. Houveram rumores antigamente de que ele tinha conseguido curar esses ferimentos de podridão anteriormente e talvez pudesse realizar tal feito novamente.
- Vamos embora então, se temos que ver mais um humano, que seja logo - Aginnan logo reclama.
- Espere! - diz Auslander, um dos clérigos anões olhando para Balin - Eu te conheço! Você é o herdeiro do trono de Anachomiko, o que não quis seguir a linhagem dos Reis!
Balin tenta abaixar a cabeça e fugir dos olhares de todos, mas naquele momento já estava rodeado por todos os anões próximos ao local que ouviram Auslander e seus próprios amigos.
- Isso é passado. No momento tenho coisas mais importantes a me preocupar - retruca Balin.
- Mas você não entende? Nós precisamos de você, mesmo sabendo que tem que partir logo. O rei pode ajudar com o transporte até Phortin... a viagem é muito longa!
- Longa quanto? - Pergunta Tubalcain.
- Cerca de cinco a seis dias a cavalo.
- Não temos cavalos! Como espera que sobrevivamos esse tempo todo andando até uma cidade a semanas de distância daqui? - Dundra explode irritado com a notícia e fica visivelmente abalado.
- Balin pode ir até o rei e pedir os cavalos. Sei que ele aceitará.
- Não posso ir até lá. Meu tio negou minha existência quando decidi ir ajudar aos povos fora de nossas montanhas e ainda há outros clãs que podem concorrer ao trono caso ele morra...
- Não diga besteiras! Você sabe muito bem que o rei ainda viverá muito tempo e que você era o preferido de todos os clãs, o mais justo.
Aginnan interfere na discussão prevendo que as coisas poderiam sair do controle e diz "Balin, essa é nossa única chance de cura. Se não conseguirmos transporte, iremos morrer antes de atingirmos a metade do caminho. Você terá que fazer um esforço!"
Daedrin dá um tapa de consolo no ombro de Balin que suspira e sai em direção ao salão do rei.
Sygrunn se apressa para acompanhar Balin e Dundra vai atrás.
- Onde pensa que está indo?
- Tenho boas qualidades para poder tentar ajudar Balin a se reconciliar com o rei e também acredito que posso ser persuasivo para conseguirmos os cavalos. E você?
- Vou cuidar para que ele não faça besteiras.
E assim seguiram adiante.
Ao chegar ao salão do rei, quatro guardas se postavam diante de uma grande porta de ouro com pedras preciosas. Um deles perguntou quem eram e foi logo anunciar sua presença ao rei Baern.
Ao entrarem na sala, Balin, Dundra e Sygrunn se depararam em um salão enorme cheio de entalhes de pedras preciosas nas paredes que formavam as figuras dos antigos reis de Anachomiko. No centro da sala havia um trono de ouro, imponente e alto para que todos os que estivessem no salão pudessem observar o rei Baern, que possuía cabelos e barba longa e grisalha; estava com uma roupa marrom trabalhada com fios de ouro platina e até mesmo diamante astral, o que fazia com que brilhasse no centro do salão.
- O que você quer aqui novamente? - Bradou o rei ao ver Balin entrando no local.
- Meu tio, meu rei. Estive em batalha e sofri alguns ferimentos que poderei curar somente em Phortin. Nossa cidade era a mais próxima e tive que voltar para ajudar meus amigos.
- E o que eu tenho a ver com isso? Pode no máximo procurar nossos clérigos, mas se eles não quiserem ajudar eu não irei interferir. Quando você nos abandonou, abdicou de todos os direitos de seu povo e não irei tratá-lo como alguém em diferente situação.
- Meu senhor - Interferiu Sygrunn - Sabemos de sua bondade e clareza nas decisões que toma perante seu povo. Vimos até ti para que pudesse nos ajudar com o transporte até Phortin, talvez nos indicando alguém que viajará até lá ou nos fornecendo alguns cavalos.
Balin e Dundra olharam ao mesmo tempo para Sygrunn imaginando porque ele acharia que faz parte do grupo e que viajaria com eles até Phortin, mas antes que pudessem dizer qualquer coisa, foram interrompidos por Baern: "A quanto tempo está com Balin?"
Sygrunn fica com o rosto pegando fogo e não pode evitar sua repentina vergonha, pois tinha conhecido o anão no mesmo dia.
- O que importa isso? Você vai deixá-lo morrer? Vai nos deixar morrer? - Grita Dundra irritado ainda com a possibilidade de sua morte. - Que rei é você?
- Mas o que é isso? - grita Baern inconformado com as palavras de Dundra - Nenhum ser com chifres fala assim comigo em minha casa! Saiam agora de minha cidade! Saiam!
Dundra se vira e dirige-se para a porta enquanto Balin volta a falar: "Meu tio, por favor. Estou apenas fazendo aquilo que acredito ser o melhor, mas agora preciso de sua ajuda."
- Empreste-nos os cavalos e só voltaremos para devolvê-los. Partimos ainda hoje. Por favor. - Sygrunn faz uma última tentativa, aproveitando que o assunto foi desviado de seu curso e o rei não mais lhe pergunto sobre o quanto conhece Balin.
- Peguem três cavalos nos estábulos e nada mais. E aquele ser de chifres está banido de meu reino! Se ele retornar, será morto na praça principal para que todos possam assistir! Agora vão e não me tragam mais seus problemas.
Balin e Sygrunn agradecem e saem da sala para encontrar os outros companheiros e ir aos estábulos.
Ao encontrarem com Dundra, reclamam de sua impaciência e deixam claro que sua atitude os colocou em perigo, além de baní-lo do reino, o que é recebido apenas com um levantar de ombros.
Enquanto todos os eventos ocorriam, Tubalcain resolve ir ao mercado.
Seus ferimentos eram os únicos que  estavam melhorando e ele tinha certeza que tinha alguma coisa a ver com a espada que carregava. Prevendo o perigo caso continuasse com o grupo e procurando uma forma de achar o destino da espada e temendo contar sobre seus ferimentos, Tubalcain decide seguir seu próprio caminho e se afastar do grupo.
Ao tomar sua decisão, avista o Eladrin Aginnan comprando jóias e vai até ele.
- Aginnan, decidi que não continuarei com vocês até Phortin. por favor comunique isso a nossos amigos. Não quero me despedir agora, irei encontrá-los no futuro.
Como tinha muito desprezo por humanos e ainda não havia se convencido de que Tubalcain tinha seu valor como amigo, Aginnan apenas balança a cabeça e continua a observar vários jóias que tremeluziam diante de seus olhos.
Ao se encontrar com grupo, Aginnan apenas se limitou a dizer que Tubalcain havia se separado do grupo e se recusou a dizer qualquer outra coisa, mesmo porque não tinha mais nenhuma informação.
Após alguns minutos discutindo em perplexidade, os aventureiros finalmente chegaram ao estábulo e pegaram três cavalos para iniciar a viagem. Abastecidos com suprimentos comprados no mercado de Anachomiko e não podendo recusar a companhia de Sygrunn devido a sua ajuda com o rei, os cinco iniciaram a viagem para Phortin.
No sexto dia de viagem, após atravessarem as florestas elficas, o grupo finalmente sentiu o cheiro de água salgada e chegou aos portões de Phortin.
A viagem havia sido exaustiva e os ferimentos haviam piorado muito. Ao tentarem passar pelos portões, Balin desmaiou e teve que ser carregado com a ajuda dos guardas até o Clérigo Martin, o maior clérigo de Phortin.
Ao chegarem nos aposentos do clérigo, um homem alto, com roupas largas vermelhas e dourada e um chapéu alto como uma torre, este analisa os ferimentos de todos e, claramente agitado começa a questionar onde eles tinham conseguido aqueles ferimentos, de onde vieram, o que estavam fazendo e uma série de outras perguntas que foram apressadamente respondidas pelo grupo.
- Vou precisar de diversos itens para o ritual de cura, mas eles são muito caros e não os tenho aqui.
- Sygrunn - disse Aginnan - se quer realmente provar seu valor, pegue nosso pouco dinheiro, tente vender nossos cavalos e traga os itens que Martin está pedindo.
- Mas eu devo estes cavalos ao rei! - responde indignado.
- Não temos escolha. Depois resolvemos isso.
Mesmo contrariado, mas tentando provar seu valor e, assim, ter mais aventuras e histórias para contar, Sygrunn pega a lista de ingredientes e parte para o centro da cidade com os cavalos.
Enquanto isso, Martin chama sua ajudante Paula, uma mulher não muito bonita nem muito feia, de cabelos pretos despenteados, e começa a preparar os aventureiros sobre vários montes de palha em formato de cama onde realizaria o ritual.
Quando Sygrunn retorna, Aginnan, Balin, Dundra e Daedrin já estão adormecidos e Martin está circulando os corpos e proferindo palavras que ele não entende. Paula pega os itens e pede que Sygrunn saia, pois nada deve atrapalhar o ritual.
- Em quanto tempo eles estarão bem?
- Não sei nem dizer se eles ficarão bem. Agora saia!
Sygrunn aproveita a oportunidade e vai conhecer a cidade. Dia após dia ele conhece mais pessoas na cidade e, com sua música, começa a ganhar algumas moedas, o que o ajuda com os gastos.
Apenas no sétimo dia pela manhã, ao acordar e ir comer seu café da manhã, Sygrunn encontra todos os seus novos amigos a mesa. Sua aparência é de descanso e o clima de descontração. Após cumprimentar a todos e dizer que estava muito feliz por estarem bem, Sygrunn pergunta sobre Martin e é Dundra quem responde:
- Ele está descansando. Ficou exausto após trabalhar sete dias seguidos. Temos que agradecê-lo por não termos mais nenhum ferimento.
Sygrunn concorda e conta a todos sobre tudo o que descobriu na cidade e como já está conhecido nas ruas e tabernas pelas suas histórias e canções.
Após um excelente café da manhã, todos saem para conhecer um pouco da cidade, agora sem medo de morrer a qualquer instante. Phortin não tinha praias, mas possuía docas para até três embarcações grandes. Ao longe, no oceano, haviam embarcações partindo e chegando. As construções da cidade eram bem próximas umas das outras, as casas não possuíam jardins e alguns locais tinham até três andares. Existem muitas pessoas estranhas andando pelas ruas e muitas evitando serem notadas. Os guardas da cidades estavam por todos os locais e a cidade parecia segura com suas ruas acompanhando a orla.
Enquanto caminham pelo porto, Aginnan e Dundra ficam intrigados com as enormes embarcações que carregam e descarregam mercadorias, caixas e pessoas. Apesar de nenhum deles conhecer qualquer outro porto, os dois ficaram intrigados com o que era feito ali e, mesmo tentando não conseguiram mais nenhuma informação.
Achando a movimentação um tanto suspeita, Aginnan combina com Dundra de voltar de madrugada para examinar os barcos mais de perto.
Algum tempo depois de terem ido a taberna e assistido uma apresentação de Sygrunn e Daedrin com uma flauta, Aginnan e Dundra saem contrariados pelo restante do grupo em direção às embarcações. Chegando ao porto, percebem que a movimentação havia se intensificado em um dos barcos e que com certeza havia algo de errado.
Se esquivando e se escondendo nas sombras da noite, a dupla consegue entrar no navio sem ser vista e descobre um conteiner de madeira onde poderiam caber até 25 bois. No canto do conteiner, eles avistam um pequeno baú trancado, porém, ao tentarem abrir o baú, que posteriormente descobrirão estar vazio, um dos tripulantes bate as portas do conteiner com força e grita: "Pegamos mais dois escravos!"
Dundra e Aginnan tentam quebrar a madeira, teletransportar para o lado de fora e arrombar a porta, mas não têm sucesso.
Alguns minutos depois alguém começa a falar do lado de fora e se apresenta como sendo o capitão da embarcação.
Nenhum dos dois responde.
Após mais algumas tentativas de comunicação, o capitão do navio fala com um dos tripulantes e logo o conteiner começa a ficar quente. A cada segundo que se passa, menos oxigênio fica disponível lá dentro e Dundra e Aginnan começam a perder a consciência até finalmente desmaiarem.