Partimos em direção a Montanha dos Dragões.
Durante os primeiros dias, tudo estava indo bem e não houveram contratempos. No terceiro dia chegamos ao Grande Cemitério, onde ocorreu a grande guerra entra e o plano inferior e o plano onde estamos. Neste ponto há uma enorme fenda dividindo as terras e não conseguimos ver seu fim para os lados ou para baixo. Foi por ela que o exército inferior abriu caminho e nos atacou. É noite e não podemos nos aproximar, pois os fantasmas do Grande Cemitério estão combatendo e podemos ver sua alma brilhante ainda brandindo espadas e machados. Os sons de explosões, gritos e choque de metal ainda ecoam. Já ouvi dizer que há uma maldição para aqueles que atravessarem este terreno a noite e pelo visto Balin também a conhece, pois sugeriu que ficássemos acampados ali para seguir caminho somente no dia seguinte. Todos concordamos, mas ninguém conseguiu dormir direito com todo aquele barulho e almas lutando mais a frente, mas pelo menos não estaríamos amaldiçoados.
No dia seguinte acordamos e seguimos em direção a fenda. Não conseguíamos imaginar um jeito de atravessar e não havia nenhuma ponte para que pudéssemos fazê-lo. Cerca de uma hora depois, vi algo que me impressionou e surpreendeu ao mesmo tempo: vi Balin se transformar em um animal com asas e cauda, era um dragonete. Ao mesmo tempo vi alguém se aproximar com uma aparência um tanto exótica e perigosa. Era um homem do tamanho de um humano, porém com orelhas pontudas de elfos e pêlos por todo o corpo, incluindo sua face, mas não podia dizer que era alguém que tenha faltado a fila da beleza de Corellon, pois também tinha uma ar de beleza e pelas suas armas e feição, podia dizer que era um bárbaro.
Apesar de ninguém parecer ter se importado por Balin se transformar em um dragonete, todos se viraram para encarar aquele que estava chegando. Sygrunn e Aginnan deram as boas vindas ao viajante e descubriram que seu nome era Balder Silver Fang, realmente um bárbaro que estava a procura de sua irmã que havia sido raptada.
Dundra ignorou a chegada do bárbaro e foi atravessado através da fenda com a ajuda de Balin Voador, que logo voltou para levar o restante do grupo. Antes de irmos embora, Aginnan disse que poderiam ajudar Balder para que atravessasse e chegasse a seu destino. Após relutar com receio, Balin aceitou atravessar Balder e descobriu que seu destino estava no caminho de nosso grupo uma cidade mais ao sul, antes da Montanha dos Dragões.
Balin voltou a se transformar em anão e seguimos caminho por terras áridas. Logo uma tempestade de areia nos atingiu e nossa velocidade foi prejudicada junto ao nosso senso de direção. Mesmo assim avançamos, mas logo fomos surpreendidos por Kythons. Fazia tempo que não os víamos. Eles saltaram de dentro da areia como se fossem tatus e nos atacaram ferozmente nos pegando despreparados. Esta foi a primeira vez que quase morremos em combate. Apesar de conseguirmos matar quase todos, ficamos muito machucados e sangrando bastante. Balin fez o que pode para nos ajudar a fechar nossos ferimentos, mas teríamos que seguir viagem, pois estávamos muito desprotegidos.
Andamos mais algumas horas e chegamos a algumas cabanas de palha e barro em formato circular onde não encontrávamos uma porta. Não sabíamos que lugar era aquele, mas Balder bateu na palha como se fosse uma porta e vi, mais a frente, uma fenda se abrir entre a palha e alguém com corpo e cabeça de tigre, mas que andava sobre dois pés, ou patas, nos olhar e chamar para perto e nos convidar para entrar.
A cabana era muito grande e simples por dentro. Haviam muitos outros homens tigre (alguns eram mulheres) e todos estavam no chão, pois não haviam móveis ali dentro.
O homem tigre se apresentou e, apesar de tentarmos entender mais de cinco vezes, não entendemos seu nome, mas ele ofereceu sua cabana para passarmos a noite e nos protegermos da tempestade que deveria sumir pela manhã. Também nos ofereceu uma bebida quente que tinha sabor de mel e ervas e, apesar de não ser mágica, acho que tinha algum efeito alucinógeno, pois quando fui dormir comecei a ter uma corrente de lembranças e, ao acordar, finalmente me lembrei de meu passado e pelo visto Aginnan, Dundra e Balin também. Balder sonhou com sua irmã, que ele nos contou ser uma sacerdotisa, perto a um dragão vermelho deitado e vários outros mortos ao redor. O homem tigre que começamos a chamar de Tiger nos contou que nosso passado e futuro era somente nosso e que devíamos tomar nossas decisões baseados no nosso coração. Realmente uma coisa bonita a se dizer, já que nesse momento nosso passado não importa e o futuro ainda não foi escrito.
Balder decide nos acompanhar a Montanha dos Dragões e, após agradecer Tiger, continuamos nossa jornada na busca pelos Dragões.
Passamos pela Planície do Dragão Dourado e em dois dias estávamos subindo as montanhas. Não vimos nenhum dragão voando por ali.
Chegamos a um ponto onde haviam várias cavernas. Logo reconheci a entrada de uma delas e pedi a todos que me acompanhassem. Segui por vários caminhos dentro das montanhas sem me preocupar com proteção e, após uma hora, cheguei finalmente ao centro das montanhas, onde ficava os ninhos dos Dragões e onde todos se reuniam quando algo importante acontecia. Lágrimas caíram de meus olhos ao ver que todos os Dragões estavam mortos. Que coisa horrível poderia ter acontecido? Será que foi Satrianni? Será que ele tinha esse poder?
Todos começaram a procurar por indícios do que havia ocorrido ali e se havia algum sobrevivente. Encontramos um dragão vermelho que ainda tinha um pouco de força e quando o toquei fui inundado por imagens dos acontecimentos recentes.
Satrianni havia aparecido no topo da montanha e logo ela foi invadida pelos seus Drows. Antes que os Dragões pudessem voar para ter vantagem em combate, Satrianni criou uma redoma com seu ácido de Fogo Fátuo impedindo o voo. Apesar de serem muito fortes, os Drows estavam em número muito grande e a redoma diminuia de tamanho fazendo com que os Dragões não tivessem espaço para atacar ou se movimentor. Havia uma sacerdotisa junto ao Dragão Vermelho e imagino que fosse a irmã de Balder. De repente houve uma explosão e o Fogo Fátuo inundou o local matando tudo o que tocava, inclusive os Drows. O Dragão protegeu a sacerdotisa com seu corpo e caiu. Então tudo ficou escuro e eu acordei ao lado dele chorando. Vi que meus companheiros também estavam desacordados e deviam estar passando pela mesma experiência. Balder acordou com um urro que poderia ter chamado a atenção dos Deuses.
Nos reunimos ao redor do Dragão Vermelho e esperamos ao seu lado. Tentamos usar nossos poderes para lhe curar e amenizar seu sofrimento, mas sentia que sua vida estava se esvaindo. Ele levantou a cabeça, me olhou e chorou uma lágrima de ônix vermelha que eu peguei e agradeci.
Alguns minutos depois sua vida deixou este mundo para viver em paz.
Ficamos mais algum tempo em silêncio pedindo aos Deuses que cuidassem dos Dragões e partimos. Estávamos muito atrasados e se Satrianni já tinha o diamante iria em busca do anel dos anões.
Voltamos o mais rápido que pudemos até a vila de Tiger. Pedimos sua ajuda para levar uma mensagem aos anões e ele se dispôs a levar Balin em suas costas enquanto corria como um tigre até Anakhômiko.
Sygrunn fez um ritual para que pudéssemos viajar mais rápido e em segurança e partimos em direção a Moraddin.
Vimos Tiger passar pela fenda andando e descobrimos que havia uma ponte invisível ali. Pelo menos assim perderíamos menos tempo. Após três dias de viagem chegamos a Moradin e quatro horas depois Balin chegou com cara de quem passou por vinte batalhas e perdeu todas. Ele nos contou que todos em Anakhômiko estavam mortos e que todos os tesouros da cidade haviam sido saqueados. Somente os anões que viviam em outras cidades ou que estavam viajando sobreviveram. E com uma voz um tanto trêmula ele nos contou que seu tio também estava morto e o anel dos lordes anões havia sumido.
Fomos imediatamente nos encontrar com Jones, o comandante do exército da cidade e um dos mais poderosos guerreiros que encontrei.
Aginnan disse a Jones que precisaríamos atacar imediatamente e que haviam boatos de que o exército de Luigi Fogo Fátuo Satrianni estava reunido a Noroeste. Ele estava com tudo o que sabíamos que procurava e poderíamos não ter outra oportunidade para atacar.
Jones se reuniu com o conselho dos três poderes de Moradin, que era a cidade onde haviam mais raças misturadas, mais gente junta e o maior exército e eles decidiram que um ataque era necessário.
Trombetas soaram por toda a enorme cidade e em meia hora o exército já estava reunido do lado de fora da cidade e pronto para marchar.
Assim fomos para a batalha final contra Satrianni.
Marchamos por dois dias e começamos a ouvir os tambores do exército de Fogo Fátuo. Eles deviam estar nas ruínas de Lûn, um lugar sagrado para os Elfos.
Após avançar por mais meio dia, nos encontramos com o exército inimigo. Era uma massa de Drows gigantesca e a frente deles estava Satrianni com sua pele apodrecida e aparência de gnomo transformado em meio dragão através de rituais malignos. Já ouvi boatos de que um dia ele andou junto a heróis e defendia as coisas boas da terra, mas agora ele era o inimigo feroz e mortal. Em sua mão estava a espada Amentiam de Sephiroth e em seu dedo o anel dos lordes anões.
"Vocês chegaram tarde!" - Disse ele com uma voz quase sobrenatural enquanto erguia a espada para o alto e a descia com força cravando o chão, cravando o diamante que estava na terra, a maior pedra preciosa que já vi, Adamanto Adalberon Ambrósio, a pedra do poder!
Ao acertar o diamante, vi uma fumaça negra crescer a partir dele e começar a se espalhar como um enxame de gafanhotos. A fumaça ficava rente a terra, mas crescia cada vez mais e tudo o que estava tocando estava ficando podre. Vi a sacerdotisa que estava com o Dragão ao lado de Satrianni. Seu rosto estava com algumas partes apodrecidas e ela estava imóvel.
Satrianni começou a gargalhar e não foi necessário que nossos exércitos se tocassem. A fumaça negra estava fazendo todo o trabalho.
Me concentrei, criei uma proteção de luz a nossa volta e a fumaça nos rodeou. Se eu a desfizer, todos morreremos. Uma energia começou a crescer dentro de mim e minha força aumentar de maneira descomunal. Minha proteção começou a ficar mais forte e uma luz branca nos iluminou até que tudo se apagou novamente. Eu não sabia o que era aquela magia ou de onde ela vinha. Sentia apenas sua beleza e força e me fiz de canal para que ela fluísse até que desmaiei.