terça-feira, 9 de março de 2010

Capítulo VI



Partimos em direção a Montanha dos Dragões.
Durante os primeiros dias, tudo estava indo bem e não houveram contratempos. No terceiro dia chegamos ao Grande Cemitério, onde ocorreu a grande guerra entra e o plano inferior e o plano onde estamos. Neste ponto há uma enorme fenda dividindo as terras e não conseguimos ver seu fim para os lados ou para baixo. Foi por ela que o exército inferior abriu caminho e nos atacou. É noite e não podemos nos aproximar, pois os fantasmas do Grande Cemitério estão combatendo e podemos ver sua alma brilhante ainda brandindo espadas e machados. Os sons de explosões, gritos e choque de metal ainda ecoam. Já ouvi dizer que há uma maldição para aqueles que atravessarem este terreno a noite e pelo visto Balin também a conhece, pois sugeriu que ficássemos acampados ali para seguir caminho somente no dia seguinte. Todos concordamos, mas ninguém conseguiu dormir direito com todo aquele barulho e almas lutando mais a frente, mas pelo menos não estaríamos amaldiçoados.
No dia seguinte acordamos e seguimos em direção a fenda. Não conseguíamos imaginar um jeito de atravessar e não havia nenhuma ponte para que pudéssemos fazê-lo. Cerca de uma hora depois, vi algo que me impressionou e surpreendeu ao mesmo tempo: vi Balin se transformar em um animal com asas e cauda, era um dragonete. Ao mesmo tempo vi alguém se aproximar com uma aparência um tanto exótica e perigosa. Era um homem do tamanho de um humano, porém com orelhas pontudas de elfos e pêlos por todo o corpo, incluindo sua face, mas não podia dizer que era alguém que tenha faltado a fila da beleza de Corellon, pois também tinha uma ar de beleza e pelas suas armas e feição, podia dizer que era um bárbaro.
Apesar de ninguém parecer ter se importado por Balin se transformar em um dragonete, todos se viraram para encarar aquele que estava chegando. Sygrunn e Aginnan deram as boas vindas ao viajante e descubriram que seu nome era Balder Silver Fang, realmente um bárbaro que estava a procura de sua irmã que havia sido raptada.
Dundra ignorou a chegada do bárbaro e foi atravessado através da fenda com a ajuda de Balin Voador, que logo voltou para levar o restante do grupo. Antes de irmos embora, Aginnan disse que poderiam ajudar Balder para que atravessasse e chegasse a seu destino. Após relutar com receio, Balin aceitou atravessar Balder e descobriu que seu destino estava no caminho de nosso grupo uma cidade mais ao sul, antes da Montanha dos Dragões.
Balin voltou a se transformar em anão e seguimos caminho por terras áridas. Logo uma tempestade de areia nos atingiu e nossa velocidade foi prejudicada junto ao nosso senso de direção. Mesmo assim avançamos, mas logo fomos surpreendidos por Kythons. Fazia tempo que não os víamos. Eles saltaram de dentro da areia como se fossem tatus e nos atacaram ferozmente nos pegando despreparados. Esta foi a primeira vez que quase morremos em combate. Apesar de conseguirmos matar quase todos, ficamos muito machucados e  sangrando bastante. Balin fez o que pode para nos ajudar a fechar nossos ferimentos, mas teríamos que seguir viagem, pois estávamos muito desprotegidos. 
Andamos mais algumas horas e chegamos a algumas cabanas de palha e barro em formato circular onde não encontrávamos uma porta. Não sabíamos que lugar era aquele, mas Balder bateu na palha como se fosse uma porta e vi, mais a frente, uma fenda se abrir entre a palha e alguém com corpo e cabeça de tigre, mas que andava sobre dois pés, ou patas, nos olhar e chamar para perto e nos convidar para entrar.
A cabana era muito grande e simples por dentro. Haviam muitos outros homens tigre (alguns eram mulheres) e todos estavam no chão, pois não haviam móveis ali dentro. 
O homem tigre se apresentou e, apesar de tentarmos entender mais de cinco vezes, não entendemos seu nome, mas ele ofereceu sua cabana para passarmos a noite e nos protegermos da tempestade que deveria sumir pela manhã. Também nos ofereceu uma bebida quente que tinha sabor de mel e ervas e, apesar de não ser mágica, acho que tinha algum efeito alucinógeno, pois quando fui dormir comecei a ter uma corrente de lembranças e, ao acordar, finalmente me lembrei de meu passado e pelo visto Aginnan, Dundra e Balin também. Balder sonhou com sua irmã, que ele nos contou ser uma sacerdotisa, perto a um dragão vermelho deitado e vários outros mortos ao redor. O homem tigre que começamos a chamar de Tiger nos contou que nosso passado e futuro era somente nosso e que devíamos tomar nossas decisões baseados no nosso coração. Realmente uma coisa bonita a se dizer, já que nesse momento nosso passado não importa e o futuro ainda não foi escrito.
Balder decide nos acompanhar a Montanha dos Dragões e, após agradecer Tiger, continuamos nossa jornada na busca pelos Dragões.
Passamos pela Planície do Dragão Dourado e em dois dias estávamos subindo as montanhas. Não vimos nenhum dragão voando por ali.
Chegamos a um ponto onde haviam várias cavernas. Logo reconheci a entrada de uma delas e pedi a todos que me acompanhassem. Segui por vários caminhos dentro das montanhas sem me preocupar com proteção e, após uma hora, cheguei finalmente ao centro das montanhas, onde ficava os ninhos dos Dragões e onde todos se reuniam quando algo importante acontecia. Lágrimas caíram de meus olhos ao ver que todos os Dragões estavam mortos. Que coisa horrível poderia ter acontecido? Será que foi Satrianni? Será que ele tinha esse poder?
Todos começaram a procurar por indícios do que havia ocorrido ali e se havia algum sobrevivente. Encontramos um dragão vermelho que ainda tinha um pouco de força e quando o toquei fui inundado por imagens dos acontecimentos recentes. 
Satrianni havia aparecido no topo da montanha e logo ela foi invadida pelos seus Drows. Antes que os Dragões pudessem voar para ter vantagem em combate, Satrianni criou uma redoma com seu ácido de Fogo Fátuo impedindo o voo. Apesar de serem muito fortes, os Drows estavam em número muito grande e a redoma diminuia de tamanho fazendo com que os Dragões não tivessem espaço para atacar ou se movimentor. Havia uma sacerdotisa junto ao Dragão Vermelho e imagino que fosse a irmã de Balder. De repente houve uma explosão e o Fogo Fátuo inundou o local matando tudo o que tocava, inclusive os Drows. O Dragão protegeu a sacerdotisa com seu corpo e caiu. Então tudo ficou escuro e eu acordei ao lado dele chorando. Vi que meus companheiros também estavam desacordados e deviam estar passando pela mesma experiência. Balder acordou com um urro que poderia ter chamado a atenção dos Deuses.
Nos reunimos ao redor do Dragão Vermelho e esperamos ao seu lado. Tentamos usar nossos poderes para lhe curar e amenizar seu sofrimento, mas sentia que sua vida estava se esvaindo. Ele levantou a cabeça, me olhou e chorou uma lágrima de ônix vermelha que eu peguei e agradeci.
Alguns minutos depois sua vida deixou este mundo para viver em paz.
Ficamos mais algum tempo em silêncio pedindo aos Deuses que cuidassem dos Dragões e partimos. Estávamos muito atrasados e se Satrianni já tinha o diamante iria em busca do anel dos anões.
Voltamos o mais rápido que pudemos até a vila de Tiger. Pedimos sua ajuda para levar uma mensagem aos anões e ele se dispôs a levar Balin em suas costas enquanto corria como um tigre até Anakhômiko.
Sygrunn fez um ritual para que pudéssemos viajar mais rápido e em segurança e partimos em direção a Moraddin.
Vimos Tiger passar pela fenda andando e descobrimos que havia uma ponte invisível ali. Pelo menos assim perderíamos menos tempo. Após três dias de viagem chegamos a Moradin e quatro horas depois Balin chegou com cara de quem passou por vinte batalhas e perdeu todas. Ele nos contou que todos em Anakhômiko estavam mortos e que todos os tesouros da cidade haviam sido saqueados. Somente os anões que viviam em outras cidades ou que estavam viajando sobreviveram. E com uma voz um tanto trêmula ele nos contou que seu tio também estava morto e o anel dos lordes anões havia sumido.
Fomos imediatamente nos encontrar com Jones, o comandante do exército da cidade e um dos mais poderosos guerreiros que encontrei. 
Aginnan disse a Jones que precisaríamos atacar imediatamente e que haviam boatos de que o exército de Luigi Fogo Fátuo Satrianni estava reunido a Noroeste. Ele estava com tudo o que sabíamos que procurava e poderíamos não ter outra oportunidade para atacar.
Jones se reuniu com o conselho dos três poderes de Moradin, que era a cidade onde haviam mais raças misturadas, mais gente junta e o maior exército e eles decidiram que um ataque era necessário.
Trombetas soaram por toda a enorme cidade e em meia hora o exército já estava reunido do lado de fora da cidade e pronto para marchar. 
Assim fomos para a batalha final contra Satrianni.
Marchamos por dois dias e começamos a ouvir os tambores do exército de Fogo Fátuo. Eles deviam estar nas ruínas de Lûn, um lugar sagrado para os Elfos. 
Após avançar por mais meio dia, nos encontramos com o exército inimigo. Era uma massa de Drows gigantesca e a frente deles estava Satrianni com sua pele apodrecida e aparência de gnomo transformado em meio dragão através de rituais malignos. Já ouvi boatos de que um dia ele andou junto a heróis e defendia as coisas boas da terra, mas agora ele era o inimigo feroz e mortal. Em sua mão estava a espada Amentiam de Sephiroth e em seu dedo o anel dos lordes anões.
"Vocês chegaram tarde!" - Disse ele com uma voz quase sobrenatural enquanto erguia a espada para o alto e a descia com força cravando o chão, cravando o diamante que estava na terra, a maior pedra preciosa que já vi, Adamanto Adalberon Ambrósio, a pedra do poder!
Ao acertar o diamante, vi uma fumaça negra crescer a partir dele e começar a se espalhar como um enxame de gafanhotos. A fumaça ficava rente a terra, mas crescia cada vez mais e tudo o que estava tocando estava ficando podre. Vi a sacerdotisa que estava com o Dragão ao lado de Satrianni. Seu rosto estava com algumas partes apodrecidas e ela estava imóvel.
Satrianni começou a gargalhar e não foi necessário que nossos exércitos se tocassem. A fumaça negra estava fazendo todo o trabalho. 
Me concentrei, criei uma proteção de luz a nossa volta e a fumaça nos rodeou. Se eu a desfizer, todos morreremos. Uma energia começou a crescer dentro de mim e minha força aumentar de maneira descomunal.  Minha proteção começou a ficar mais forte e uma luz branca nos iluminou até que tudo se apagou novamente. Eu não sabia o que era aquela magia ou de onde ela vinha. Sentia apenas sua beleza e força e me fiz de canal para que ela fluísse até que desmaiei.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Capítulo V - Daedrin

Estas pessoas falam muito, mas são bons companheiros e bons lutadores.
Não gosto muito dessas cavernas. Elas são frias, úmidas, têm cheiro de mofo e vários caminhos para nos perder, além da escuridão que até mesmo pra mim gera dificuldades.
A cada divisão dos caminhos que temos para percorrer, há discussões sobre qual rumo tomar. O ar não nos dá pistas sobre onde ir ou porque ir por ali.
Após um longo tempo, achamos uma ponte inteira e conseguimos atravessar o rio que corta as cavernas. Desta vez ninguém resolveu dar um mergulho e ver se era fundo. Apesar de ser rude às vezes, Aginnan aprende com os erros. Tudo bem que precisei convencê-los com imagens mentais de que tentar atravessar o rio da mesma maneira era idiotice, mas funcionou.
Às vezes me divirto com as coisas que eles fazem. Já não bastasse a bizarrice em termos um Kalashtar, dois Eladrins e um Tiefling, temos um anão da alta realeza.
Eu nunca imaginaria encontrar um Tiefling (Dundra), nem tentar ser amigo dele. Apesar que ele não fala muito e quando abre a boca... bem, digamos que ele não saber fazer poesias e agora apresenta uma leve queda por furtar coisas valiosas.
Quanto ao outro Eladrin, Aginnan, ele tem um ódio estranho por Humanos. Nunca consegui entender o porquê, mas tenho que concordar que ele é um tanto quanto ágil. Já o vi sair de combates sem nenhum ferimento. Acredito que seu ponto fraco seja sua paixão por jóias e pedras preciosas.
Sobre o Anão só posso dizer que Balin tem problemas com a família e se recusa a aceitar o destino. Ele é um dos poucos que tem descoberto sobre seu passado e está entrando em conflito com seus ideais. O reino dos anões é rico, mas não é mais um lugar próspero. Sua ascensão resolveria muitos problemas, pois ele possui uma alma nobre rara e ajudaria seu povo como pudesse.
Por fim, Sygrunn - o Kalashtar, aparentemente um humano se você não notar os detalhes. Um ser que possui muita curiosidade pelo mundo e muita língua para pouca boca. Algumas coisas devem ser resolvidas com a lâmina de uma espada ou com o poder dos deuses, mas ele sempre opta pela diplomacia. Tão curiosas suas manias, mas não tanto quanto a maneira como se juntou ao nosso grupo. Praticamente um esbarrão no mercado de Anakhômiko. Mas isso não importa.
O que realmente importa é que depois de atravessarmos a ponte, a caverna foi ficando mais larga e logo chegamos a um local onde haviam cinco criaturas de pedra. Não sei se posso dizer que eram seres vivos, mas com certeza tinham uma consciência e sabiam lutar. Não houve palavras que os parassem e logo tivemos que nos engajar em um combate sangrento onde as espadas estavam em constante risco de se quebrar. A magia estava tendo mais efeito nos homens de pedra e Balin e eu conseguimos nos colocar em vantagem.
Ao vencermos o combate, paramos para descansar um pouco e Sygrunn localizou um objeto em uma fenda na parede: era um pequeno baú com uma esmeralda verde brilhante em cima e algumas inscrições anãs que Balin nos traduziu como "Coloque seus desejos".
Eu nunca desejaria ter uma pedra, mas querendo testar os poderes do baú Sygrunn depositou uma pedra em seu interior e o fechou. Nada aconteceu, porém quando o baú foi reaberto, a pedra havia sumido.
Fazendo mais uma tentativa e acredito que pensando no anel de ferro dos lordes anões, Balin deposita um anel dentro do baú, que também some.
Aginnan, desejando riquezas, coloca um de seus colares de ouro dentro do baú seguido por Dundra que deposita uma flecha.
Enquanto assistia a este ritual de desejos, percebi que todos queriam coisas materiais. Como são tolos. Os bens materiais podemos conseguir com nosso conhecimento. Neste momento entrei em transe e concentrei meus poderes, meu conhecimento e posso dizer que até um pouco de minha alma em uma esfera de pura magia. Coloquei a esfera conjurada dentro do baú e ao fechá-lo sua esmeralda se apagou. Acredito que não temos mais desejos a fazer, pelo menos por enquanto.
Sem obter resultados imediatos, voltamos a seguir nossos caminhos pela caverna. Eu tinha colocado o capuz, pois haviam muitas goteiras do trajeto.
Acredito que estamos no terceiro dia dentro das cavernas e novamente encontramos uma área mais larga. No centro do local há um anão com uma tocha. Parado como uma estátua.
Nos aproximamos do anão e tentamos conversar. Os olhos dele estão brancos, sua pele está fantasmagórica, seu corpo treme e sua voz sai rasgada. Em suas mãos percebo que há um anel. Aparentemente é o anel dos anões, pois Balin fica agitado e começa a pedí-lo. O anão está louco e não quer entregá-lo. Vejo que Balin tentará tê-lo a força, mas antes que faça qualquer coisa, ouvimos um barulho de patas vindo do teto. Ao olhar vejo criaturas horríveis: bocas e patas de aranha, corpo de barata e machados. Conto dez delas. Duas para cada um.
As criaturas nos rodeiam e lançam suas teias nos prendendo ao chão. Estamos todos acuados no centro da caverna e o anão está imóvel ao nosso lado.
Em um momento da batalha, Aginnan cai inconsciente, mas Balin consegue recuperá-lo. Estamos conseguindo progresso vagarosamente enquanto trabalhamos em grupo. Funcionamos muito bem juntos.
Aginnan percebe que o anão está fugindo e, ao derrubar um de seus oponentes, corre atrás dele e o amarra. O restante do grupo termina de matar as outras criaturas e ouço o barulho do anel caindo das mãos do anão enquanto Aginnan o arrasta. Balin recupera o anel, o analisa e nos confirma que é o anel de ferro dos lordes anões. Balin também pega alguns machados para poder vender e lucrar com seu trabalho.
Achamos melhor ir embora antes que Luigi venha atrás do anel. Iremos levar o anão como prisioneiro, pois acredito que ele está sob influência de alguma magia. Ao nos voltarmos para o caminho de volta, ouvimos o barulho de um exército subterrâneo. São os Drows de Luigi. Somos recebidos com muitas flechas. O local que estamos é largo e alto e estamos encurralados entre o rio e o exército. Só há uma saída e desta vez eu concordo: nos jogarmos na água.
Percebo que Balin afunda rapidamente, mas logo reaparece sem os machados. Eu conjuro luz para que possamos ver o caminho e sofrermos menos ferimentos do que a última vez. Enquanto somos levados pela correnteza, vemos uma bola verde de ácido se formando em cima de uma das pontes do rio. É Luigi e seus Drows!
Enquanto conjura a magia, algumas pedras começam a rolar das paredes e um desmoronamento atinge parte da ponte, fazendo com que Luigi se jogue para o lado. Alguns Drows foram atingidos pelas pedras e caíram no rio. O volume de pedras, fez com que o fluxo de água fosse desviado para os lados e assim conseguimos desviar da magia de Satrianni, porém sofremos vários ferimentos até sermos lançados no lago. Lutamos para sobreviver e chegar a superfície. Nos ajudamos na medida do possível e todos conseguimos sair da água.
Enquanto tomamos fôlego sob a luz do sol, vimos dois corpos de Drows boiando na água. Os puxamos para a terra firme e, percebendo que estavam vivos, os amarramos para levá-los como prisioneiros. Nenhum deles quis dar informações sobre o que Luigi queria com o anel ou a espada de Sephiroth e Dundra acabou matando um enquanto tentava obter informações, mas aproveitamos a vantagem que tínhamos e fomos andando até árvore élfica, pois nossos cavalos haviam sido mortos entrada das cavernas.
A cidade élfico sempre foi imponente e a cada visita continuamos a ficar encantados. Loreal nos recebeu e disse que devíamos devolver o anel a terra dos anões.
Não queríamos esperar mais para partir e, ao conseguirmos novos cavalos, nos preparamos com um ritual realizado por Sygrunn para viajarmos mais rápido. Loreal conseguiu recuperar a sanidade do anão, mas ele não acordaria novamente nos próximos dias, então o colocamos sobre um cavalo.
Antes de partir ouvimos sons de trombetas e tambores. O exército de Luigi estava marchando em nossa direção e iria atacar de surpresa. Houve uma correria organizada na cidade, onde todos os cidadãos se postaram em postos de combate e em formação para aguardar o ataque. Queríamos ficar, mas Loreal nos obrigou a seguir adiante e proteger aquilo que Luigi queria. Tentamos argumentar sobre o enorme exército de Luigi que já era visível, mas não conseguimos convencer a Rainha dos elfos. Assim, partimos o mais rápido possível e aproveitamos o tempo que Loreal nos havia dado.
Enquanto cavalgávamos eu ouvia os gritos de agonia e dor dos elfos.
Depois de 5 dias de viagem, chegamos a Anakhômiko e fomos direto falar com o Rei Baern, tio de Balin. Dundra obviamente ficou do lado de fora dos portões gigantescos da cidade, pois havia sido banido do reino.
Quando entramos na sala do rei, entendi porque Dundra havia sido expulso e lhe dei certa razão. O anão era arrogante e cheio de si. Se achava além de um rei, um deus. Como todos os seres que adoram falar pelos cotovelos, quase tudo o que dizia era dispensável. Um rei deveria saber o poder das palavras e dizer somente aquilo que tenha algum valor, caso contrário é melhor que fique quieto.
Sygrunn e Balin argumentaram sobre a ajuda que Dundra havia dado para recuperar o anel, que na minha opinião não foi muita, e conseguiram que ele fosse readimitido pelo menos na área comercial da cidade. Além disso ouve uma pequena discussão com Balin sobre ter abdicado ao trono real, mas nada que valha a pena comentar.
Algo que merece destaque nessa conversa não tem a ver com as palavras, mas sim com as aparências. O rei Baern possui uma aura escura em volta de seu corpo, não por ser uma má pessoa, mas pelo seu destino. É difícil tentar interpretar o que meus olhos e minha alma sentem, mas sei que o futuro do rei não será nada agradável e, pelo jeito, ela não merece nada que seja agradável.
Enfim saímos do salão do rei, deixamos o anel para que tomasse conta e fomos avisar Dundra que poderia entrar na cidade agora, pelo menos nos limites estabelecidos pelo rei. Resmungando ele entrou na cidade junto com nós e Balin se lembrou de ter um primo ferreiro na cidade. Enfim alguém estava lembrando de alguma coisa, se bem que eles iriam ter mais motivos para falar agora.
Fomos até o ferreiro e descobrimos três coisas importantes: a primeira é que o primo de Balin, que não me lembro o nome, mas era algumacoisain, não consegue guardar um segredo; a segunda é que ele tinha um pequeno dragão verde chamado Nala, mas que o mandou para as montanhas dos dragões para crescer seguro; a terceira é que Balin tinha uma mansão na cidade que logo Balin concordou em saber onde ficava.
Antes de irmos até a casa de Balin, fomos até a biblioteca tentar descobrir alguma coisa sobre os itens que Satrianni estava tentando organizar. O primo de Balin disse conhecer alguns bons livros que continham a descrição dos itens mais raros conhecidos pelos anões.
Entramos na biblioteca e, apesar do pequeno tamanho dos anões, haviam imensos corredores, largos, altos e compridos com estantes cheias de livros. Fomos andando até uma pequena sala no fundo da biblioteca e o primo de Balin, algumacoisain, nos pegou um livro gigantesco sobre itens poderosos e nos explicou que não encontraríamos o anel dos lordes anões, pois ele era um anel comum que apenas dava status ao seu possuidor em meio ao reino anão.
Começamos a folhear as páginas e víamos maravilhas, mas não encontramos a espada Amentiam de Sephiroth. Passamos algumas horas ali, mas antes de ir embora, vi algo que me chamou a atenção: Adamanto Adalberon Ambrósio ou O Forte e Imortal Diamante Impossível de Domar. Era um diamante do tamanho da cabeça de um cavalo, translúcido e brilhante. Este diamante seria capaz de fornecer todo o poder mágico que existe neste plano e logo pensei que se Luigi o tivesse junto com a espada, poderia ser considerado um Deus ou um Demônio nesta terra. Também imaginei que possuir este diamante mágico poderia fazer com que conseguíssemos subjulgá-lo.
Neste momento comecei a compartilhar imagens do item e da busca que teríamos que fazer por ele com o restante do grupo. Segundo o livro, o último paradeiro conhecido de Adamanto era a Montanha dos Dragões, onde estava muito bem guardado e seria impossível retirá-lo sem o consentimento de todos os dragões.
Todos ficaram em silêncio por um instante e depois concordaram que deveríamos partir no dia seguinte para a Montanha dos Dragões, o que não seria fácil, pois teríamos de passar pelo Grande Cemitério, pelo Canyon e pela planície deserta dos dragões, mas as preocupações ficariam para o dia seguinte. Agora iríamos descansar.
Fomos em direção a casa de Balin e quando chegamos desacreditei que ele teria uma casa naquelas proporções. Era uma mansão enorme, toda esculpida na pedra e com enfeites em ouro e pedras preciosas. As portas eram de mármore e o piso era uma lâmina de esmeralda. Algo que nunca vi em minha vida. Entramos na casa e haviam diversas estátuas de ouro, rubi, esmeralda e diamante. Todos estavam boquiabertos devido ao tesouro que encontraram.
Balin nos levou a alguns quartos e disse que ali poderíamos descansar. O quarto em que fiquei não era muito grande, mas era muito aconchegante. Dormi como há muito não dormia.
Na manhã seguinte, Balin me presenteou com um colar de ouro com um pingente que ele chamou de símbolo da amizade anão e cinco mil peças de ouro. Uma enorme honra pra mim. Gesticulei em agradecimento e o acompanhei para o café da manhã, mas ele parou na porta do quarto de Dundra e o questionou sobre algumas estátuas de ouro que haviam sumido. O homem de chifres acabou confessando que as tinha pego e Balin pegou duas estátuas de ouro de volta. Depois disso seguimos para fazer o desjejum e muito animados partimos para o Sul em direção a Montanha dos Dragões.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Capítulo IV - Aginnan

Aginnan acorda e finalmente se lembra onde está.
“Como diabos vou sair daqui é a preocupação no momento, será que meu amigo chifrudo já acordou?”
Dundra parece despertar também e os dois ainda perdem alguns minutos tentando sair. As ameaças ao capitão do barco não parecem fazer efeito e algum tempo depois Aginnan finalmente sente a voz de Sygrunn em sua mente. Ele diz que convenceram os tripulantes e o capitão de que seus prisioneiros estavam doentes e assim seriam libertados.
Ao sair do conteiner e um tanto irritado por ter sido enganado com tanta facilidade diz:
- Ora ora, será que o capitão de tão bela embarcação terá a coragem de encarar um pobre Eladrin doente agora que ele está livre?
Percebendo então que tanto os tripulantes como aquele que parece ser o capitão se afastam dele e de Dundra como se temessem a tal doença criada por seus companheiros, Aginnan faz um corte em sua própria mão e segue manchando de sangue as paredes do navio. Sentindo-se muito bem consigo mesmo por enganar aqueles que o enganaram antes ele desafia novamente:
- Ora, vocês temem até mesmo meu sangue? Pobres tolos. E nenhum de você terá a coragem de me enfrentar como um homem?
Aos poucos e sem obter resposta Aginnan ri ao descer a ponte que o leva pra fora do convés e de volta ao porto. Virando-se uma última vez, encara o barco novamente e ignorando os avisos de seus companheiros ele volta a desafiar os tripulantes do barco:
-Vamos! Nenhum de vocês? Nem mesmo seu corajoso capitão?
Após essa frase uma flecha aterrisa ao lado de seus pés vinda do barco. Percebendo que não vai conseguir um duelo para acalmar seus nervos e seu orgulho ele dá as costas enquanto pensa que os valentes homens do mar parecem mais um bando de coelhos assustados.

Após os devidos agradecimentos pela libertação e o que pareceu uma pequena discussão entre o capitão da guarda do porto, Balin e Sygrunn, Aginnan e seus companheiros decidem buscar por mais informações sobre seu próximo destino, o qual concordam ser aquele conhecido como Fogo Fátuo, mas eles não tem mais cavalos, e chegar a qualquer lugar tomaria muito tempo e recursos. Dundra e Balin parecem convencidos que talvez possam enganar a guarda da cidade, fingindo se alistar, e assim conseguir cavalos. Aginnan resolve acompanhá-los e após uma breve conversa com um dos guardas eles percebem que o treinamento exigido levaria muito tempo, e comprar os cavalos também não era uma opção. Enquanto pensam em uma nova solução percebem que Sygrunn resolveu tocar pelas ruas da cidade, provavelmente tentando conseguir algum dinheiro. Aginnan tem uma idéia e resolve ajudar seu companheiro na empreitada. Enquanto sente o peso de suas facas para se certificar que estão alinhadas ele diz:
-Ei garoto diabo, encoste na parede. Não é só o bardo que tem habilidades que servem para um show de rua.
Meio contrariado Dundra se encosta na parede, e Aginnan atira facas ao redor dele, o que começa a atrair ainda mais público. Algum tempo depois eles arrecadaram uma boa quantidade de moedas, mas ainda não o suficiente para um cavalo.

Felizmente Balin parecia ter algum dinheiro guardado, que somado com aquele que Aginnan guardava em nome do grupo e o arrecadado por eles era o suficiente para que eles conseguissem as montarias e seguissem viagem. Ocultar recursos daquela forma não parecia uma atitude sensata de Balin aos olhos de Aginnan, mas mesmo assim ele nada disse.

Enquanto viajavam Aginnan pensou nos últimos acontecimentos e percebeu que talvez aquilo fosse demais para ele, mas seu orgulho não permitia que ele desistisse, não sem saber ao menos quem ele realmente era. Talvez fosse hora de mudar algumas coisas em sua forma de lutar, talvez não matar sem necessidade fosse um erro, ao menos num mundo que parecia cada vez mais complexo do que ele poderia compreender. E enquanto pensava em como poderia ser mais útil nos dias de viagem até as terras do elfos.
Mesmo tendo passado pela cidade durante a viagem até  Phortin, provavelmente devido a sua doença, Aginnan se lembrava de muito pouco, mas aquele lugar o encantava. Tudo parecia em equilíbrio, as construções elficas se moldavam de uma forma que pareciam parte da floresta, mas não podiam ficar. Tudo que sabiam até ali é que Fogo Fátuo buscava a estranha espada possuída por seu antigo companheiro Tubalcain e como se separaram dele em Anakhômiko, era pra lá que deveriam ir.

Enquanto descansavam numa taberna vieram as notícias sobre um anel. Haviam rumores de que estava na região, e que era outro dos artefatos buscado por Luigi Fogo Fátuo Satrianni. Por mais que seus companheiros parecessem interessados no item de origem anã Aginnan achava que o tempo que a busca por ele demandaria não era algo que eles possuíam, além disso um antigo companheiro poderia estar em perigo portando a espada, mesmo que fosse um companheiro humano não era um sangue que o Eladrin gostaria de ter em suas mãos. Balin principalmente parecia muito empolgado com a idéia de buscar o anel, e após uma pequena discussão ficou decidido que eles se separariam ali. Aginnan e Dundra iriam em busca da espada enquanto Balin e Sygrunn seguiriam em busca do anel.

Na manhã seguinte se despediram e no momento que se preparavam em seguir viagem vieram as desagradáveis noticias. Satrianni já estava em posse da espada. As possibilidades de que destino de Tubalcain tivera sido a morte eram muito grandes, mas Aginnan tentou não pensar nisso. Foram então todos juntos em direção às cavernas elficas onde possivelmente estaria o anel. Como sempre os estranhos rituais do bardo fizeram com que os cavalos parecessem mais rápidos e a estrada mais reta, e após uma viagem curta e sem grandes complicações eles chegaram ao que parecia ser a entrada de uma complexa rede subterrânea.

Aginnan ficou preocupado em entrar ali sem que eles tivesse uma forma de se guiar pelos corredores da caverna, e perdeu algum tempo queimando alguns galhos numa fogueira para que pudessem usar o carvão para se guiar lá dentro. Eles amarraram os cavalos numa área um pouco afastada, onde não podiam ser vistos da estrada e tivessem o que comer e beber. Quando finalmente entraram o que viram não foi uma cena amigável: a escuridão tomava conta do lugar, e água parecia vir de lugar nenhum pelas paredes da caverna. O carvão já se tornara inútil como forma de localização.
Sygrunn resolveu o problema quebrando uma garrafa, pois deixariam os cacos nos corredores para terem um jeito de voltar depois. Para Aginnan aquilo parecia uma versão macabra de uma história infantil, mas sem pensar muito no assunto foram adiante.
Após algumas horas caminhando pelos longos corredores, e uma última descida particularmente íngreme na qual Balin e Sygrunn escorregaram e teriam se machucado gravemente não fosse pelo ágil salvamento do ladrão, chegaram a outro desafio. Havia um rio subterrâneo freando o avanço do estranho grupo. A correnteza era forte, e não parecia uma boa idéia tentar nadar através dele, mas já cansado das piadas que o destino vinha pregando, Aginnan resolveu correr o risco. Com uma ponta da corda segura por seus companheiros e outra amarrda a sua cintura, numa demonstração de força e habilidade o ladrão  alcançou a outra margem do rio. Mantendo a corda segura daquele lado seus companheiros poderiam atravessar. O primeiro a fazê-lo foi o mago, que conseguiu sem muitos problemas, mas quando chegou a vez de Sygrunn, o bardo foi puxado pela correnteza. Tendo apenas a corda para se segurar e sem a força necessária para ir contra a força das águas Aginnan saltou para ajudá-lo, mas não foi o suficiente. A última coisa que Aginnan ouviu enquanto era levado pela correnteza com o bardo foram seus companheiros se lançado na água para tentar ajudá-los.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Capítulo III

Nossos aventureiros acordam no dia seguinte e seguem viagem procurando a cidade mais próxima para poderem tentar se recuperar, seus ferimentos estão com aparência de podre e progredindo como se tivessem estragado a pele e a carne.
Após mais três dias de viagens sendo importunados pelas criaturas abissais, o grupo chega às portas de Anakhômiko, a incrível cidade dos anões. Balin se sente revigorado, pois sabe que conhece aquele lugar e é provável que possua alguma história de sua vida ou lembrança de seu passado.
Ao entrarem na cidade, Aginnan fica maravilhado com o enorme salão principal todo rodeado de jóias que emitem luz em todas as direções e reluzem o ouro das paredes e a platina do chão. Porém o grupo chama bastante atenção por ser tão exótico, pois Eladrins e Tieflins são seres raros de se encontrar. Logo muitos anões e humanos no local começam a observar sua movimentação.
Voltando ao assunto que era mais urgente, Aginnan se vira para um dos guardas de serviço e lhe pergunta: "Há algum clérigo que possa nos ajudar?"
- Qual o tipo de ajuda que vocês precisam?
Aginnan mostra seus ferimentos ao guarda que pede para que eles sigam a ala médica das cavernas.
Ao se dirigir a ala médica, o grupo é surpreendido por um ser de aparência humana que se apresenta docemente pelo nome de Sygrunn e pede para que o grupo conte suas histórias.
Sygrunn é um bardo que viaja muito pelas terras desse mundo em busca de histórias e gosta de contar sobre os espíritos Quori.
- Não temos tempo agora pra isso e mal sabemos de nossas histórias. - diz Aginnan irritado por achar que Sygrunn é um humano.
- Posso acompanhá-los então? - Pergunta Sygrunn intrigado com o grupo exótico.
- Por que deveríamos confiar em você? - Pergunta Dundra
- Sou apenas um bardo interessado nas histórias dos aventureiros e cidades. Gosto de cantar suas histórias nas tabernas e nas ruas.
- Não podemos perder mais tempo. Se quiser, pode nos acompanhar. - Diz Tubalcain enquanto segue para a  ala médica para encontrar algum clérigo que possa ajudá-los.
Chegando a ala médica, o grupo é atendido e Sygrunn observa atentamente a todas as perguntas e respostas dos clérigos, por fim, os ouve dizer que foram tocados pela mão podre dos seres infernais e que nada poderiam fazer ali.
Indignados com a resposta, todos começam a falar ao mesmo tempo, questionar, e cobrar os clérigos por uma solução até que um deles diz que "talvez, mas só talvez" haverá um clérigo humano na cidade de Phortin que os poderia ajudar. Houveram rumores antigamente de que ele tinha conseguido curar esses ferimentos de podridão anteriormente e talvez pudesse realizar tal feito novamente.
- Vamos embora então, se temos que ver mais um humano, que seja logo - Aginnan logo reclama.
- Espere! - diz Auslander, um dos clérigos anões olhando para Balin - Eu te conheço! Você é o herdeiro do trono de Anachomiko, o que não quis seguir a linhagem dos Reis!
Balin tenta abaixar a cabeça e fugir dos olhares de todos, mas naquele momento já estava rodeado por todos os anões próximos ao local que ouviram Auslander e seus próprios amigos.
- Isso é passado. No momento tenho coisas mais importantes a me preocupar - retruca Balin.
- Mas você não entende? Nós precisamos de você, mesmo sabendo que tem que partir logo. O rei pode ajudar com o transporte até Phortin... a viagem é muito longa!
- Longa quanto? - Pergunta Tubalcain.
- Cerca de cinco a seis dias a cavalo.
- Não temos cavalos! Como espera que sobrevivamos esse tempo todo andando até uma cidade a semanas de distância daqui? - Dundra explode irritado com a notícia e fica visivelmente abalado.
- Balin pode ir até o rei e pedir os cavalos. Sei que ele aceitará.
- Não posso ir até lá. Meu tio negou minha existência quando decidi ir ajudar aos povos fora de nossas montanhas e ainda há outros clãs que podem concorrer ao trono caso ele morra...
- Não diga besteiras! Você sabe muito bem que o rei ainda viverá muito tempo e que você era o preferido de todos os clãs, o mais justo.
Aginnan interfere na discussão prevendo que as coisas poderiam sair do controle e diz "Balin, essa é nossa única chance de cura. Se não conseguirmos transporte, iremos morrer antes de atingirmos a metade do caminho. Você terá que fazer um esforço!"
Daedrin dá um tapa de consolo no ombro de Balin que suspira e sai em direção ao salão do rei.
Sygrunn se apressa para acompanhar Balin e Dundra vai atrás.
- Onde pensa que está indo?
- Tenho boas qualidades para poder tentar ajudar Balin a se reconciliar com o rei e também acredito que posso ser persuasivo para conseguirmos os cavalos. E você?
- Vou cuidar para que ele não faça besteiras.
E assim seguiram adiante.
Ao chegar ao salão do rei, quatro guardas se postavam diante de uma grande porta de ouro com pedras preciosas. Um deles perguntou quem eram e foi logo anunciar sua presença ao rei Baern.
Ao entrarem na sala, Balin, Dundra e Sygrunn se depararam em um salão enorme cheio de entalhes de pedras preciosas nas paredes que formavam as figuras dos antigos reis de Anachomiko. No centro da sala havia um trono de ouro, imponente e alto para que todos os que estivessem no salão pudessem observar o rei Baern, que possuía cabelos e barba longa e grisalha; estava com uma roupa marrom trabalhada com fios de ouro platina e até mesmo diamante astral, o que fazia com que brilhasse no centro do salão.
- O que você quer aqui novamente? - Bradou o rei ao ver Balin entrando no local.
- Meu tio, meu rei. Estive em batalha e sofri alguns ferimentos que poderei curar somente em Phortin. Nossa cidade era a mais próxima e tive que voltar para ajudar meus amigos.
- E o que eu tenho a ver com isso? Pode no máximo procurar nossos clérigos, mas se eles não quiserem ajudar eu não irei interferir. Quando você nos abandonou, abdicou de todos os direitos de seu povo e não irei tratá-lo como alguém em diferente situação.
- Meu senhor - Interferiu Sygrunn - Sabemos de sua bondade e clareza nas decisões que toma perante seu povo. Vimos até ti para que pudesse nos ajudar com o transporte até Phortin, talvez nos indicando alguém que viajará até lá ou nos fornecendo alguns cavalos.
Balin e Dundra olharam ao mesmo tempo para Sygrunn imaginando porque ele acharia que faz parte do grupo e que viajaria com eles até Phortin, mas antes que pudessem dizer qualquer coisa, foram interrompidos por Baern: "A quanto tempo está com Balin?"
Sygrunn fica com o rosto pegando fogo e não pode evitar sua repentina vergonha, pois tinha conhecido o anão no mesmo dia.
- O que importa isso? Você vai deixá-lo morrer? Vai nos deixar morrer? - Grita Dundra irritado ainda com a possibilidade de sua morte. - Que rei é você?
- Mas o que é isso? - grita Baern inconformado com as palavras de Dundra - Nenhum ser com chifres fala assim comigo em minha casa! Saiam agora de minha cidade! Saiam!
Dundra se vira e dirige-se para a porta enquanto Balin volta a falar: "Meu tio, por favor. Estou apenas fazendo aquilo que acredito ser o melhor, mas agora preciso de sua ajuda."
- Empreste-nos os cavalos e só voltaremos para devolvê-los. Partimos ainda hoje. Por favor. - Sygrunn faz uma última tentativa, aproveitando que o assunto foi desviado de seu curso e o rei não mais lhe pergunto sobre o quanto conhece Balin.
- Peguem três cavalos nos estábulos e nada mais. E aquele ser de chifres está banido de meu reino! Se ele retornar, será morto na praça principal para que todos possam assistir! Agora vão e não me tragam mais seus problemas.
Balin e Sygrunn agradecem e saem da sala para encontrar os outros companheiros e ir aos estábulos.
Ao encontrarem com Dundra, reclamam de sua impaciência e deixam claro que sua atitude os colocou em perigo, além de baní-lo do reino, o que é recebido apenas com um levantar de ombros.
Enquanto todos os eventos ocorriam, Tubalcain resolve ir ao mercado.
Seus ferimentos eram os únicos que  estavam melhorando e ele tinha certeza que tinha alguma coisa a ver com a espada que carregava. Prevendo o perigo caso continuasse com o grupo e procurando uma forma de achar o destino da espada e temendo contar sobre seus ferimentos, Tubalcain decide seguir seu próprio caminho e se afastar do grupo.
Ao tomar sua decisão, avista o Eladrin Aginnan comprando jóias e vai até ele.
- Aginnan, decidi que não continuarei com vocês até Phortin. por favor comunique isso a nossos amigos. Não quero me despedir agora, irei encontrá-los no futuro.
Como tinha muito desprezo por humanos e ainda não havia se convencido de que Tubalcain tinha seu valor como amigo, Aginnan apenas balança a cabeça e continua a observar vários jóias que tremeluziam diante de seus olhos.
Ao se encontrar com grupo, Aginnan apenas se limitou a dizer que Tubalcain havia se separado do grupo e se recusou a dizer qualquer outra coisa, mesmo porque não tinha mais nenhuma informação.
Após alguns minutos discutindo em perplexidade, os aventureiros finalmente chegaram ao estábulo e pegaram três cavalos para iniciar a viagem. Abastecidos com suprimentos comprados no mercado de Anachomiko e não podendo recusar a companhia de Sygrunn devido a sua ajuda com o rei, os cinco iniciaram a viagem para Phortin.
No sexto dia de viagem, após atravessarem as florestas elficas, o grupo finalmente sentiu o cheiro de água salgada e chegou aos portões de Phortin.
A viagem havia sido exaustiva e os ferimentos haviam piorado muito. Ao tentarem passar pelos portões, Balin desmaiou e teve que ser carregado com a ajuda dos guardas até o Clérigo Martin, o maior clérigo de Phortin.
Ao chegarem nos aposentos do clérigo, um homem alto, com roupas largas vermelhas e dourada e um chapéu alto como uma torre, este analisa os ferimentos de todos e, claramente agitado começa a questionar onde eles tinham conseguido aqueles ferimentos, de onde vieram, o que estavam fazendo e uma série de outras perguntas que foram apressadamente respondidas pelo grupo.
- Vou precisar de diversos itens para o ritual de cura, mas eles são muito caros e não os tenho aqui.
- Sygrunn - disse Aginnan - se quer realmente provar seu valor, pegue nosso pouco dinheiro, tente vender nossos cavalos e traga os itens que Martin está pedindo.
- Mas eu devo estes cavalos ao rei! - responde indignado.
- Não temos escolha. Depois resolvemos isso.
Mesmo contrariado, mas tentando provar seu valor e, assim, ter mais aventuras e histórias para contar, Sygrunn pega a lista de ingredientes e parte para o centro da cidade com os cavalos.
Enquanto isso, Martin chama sua ajudante Paula, uma mulher não muito bonita nem muito feia, de cabelos pretos despenteados, e começa a preparar os aventureiros sobre vários montes de palha em formato de cama onde realizaria o ritual.
Quando Sygrunn retorna, Aginnan, Balin, Dundra e Daedrin já estão adormecidos e Martin está circulando os corpos e proferindo palavras que ele não entende. Paula pega os itens e pede que Sygrunn saia, pois nada deve atrapalhar o ritual.
- Em quanto tempo eles estarão bem?
- Não sei nem dizer se eles ficarão bem. Agora saia!
Sygrunn aproveita a oportunidade e vai conhecer a cidade. Dia após dia ele conhece mais pessoas na cidade e, com sua música, começa a ganhar algumas moedas, o que o ajuda com os gastos.
Apenas no sétimo dia pela manhã, ao acordar e ir comer seu café da manhã, Sygrunn encontra todos os seus novos amigos a mesa. Sua aparência é de descanso e o clima de descontração. Após cumprimentar a todos e dizer que estava muito feliz por estarem bem, Sygrunn pergunta sobre Martin e é Dundra quem responde:
- Ele está descansando. Ficou exausto após trabalhar sete dias seguidos. Temos que agradecê-lo por não termos mais nenhum ferimento.
Sygrunn concorda e conta a todos sobre tudo o que descobriu na cidade e como já está conhecido nas ruas e tabernas pelas suas histórias e canções.
Após um excelente café da manhã, todos saem para conhecer um pouco da cidade, agora sem medo de morrer a qualquer instante. Phortin não tinha praias, mas possuía docas para até três embarcações grandes. Ao longe, no oceano, haviam embarcações partindo e chegando. As construções da cidade eram bem próximas umas das outras, as casas não possuíam jardins e alguns locais tinham até três andares. Existem muitas pessoas estranhas andando pelas ruas e muitas evitando serem notadas. Os guardas da cidades estavam por todos os locais e a cidade parecia segura com suas ruas acompanhando a orla.
Enquanto caminham pelo porto, Aginnan e Dundra ficam intrigados com as enormes embarcações que carregam e descarregam mercadorias, caixas e pessoas. Apesar de nenhum deles conhecer qualquer outro porto, os dois ficaram intrigados com o que era feito ali e, mesmo tentando não conseguiram mais nenhuma informação.
Achando a movimentação um tanto suspeita, Aginnan combina com Dundra de voltar de madrugada para examinar os barcos mais de perto.
Algum tempo depois de terem ido a taberna e assistido uma apresentação de Sygrunn e Daedrin com uma flauta, Aginnan e Dundra saem contrariados pelo restante do grupo em direção às embarcações. Chegando ao porto, percebem que a movimentação havia se intensificado em um dos barcos e que com certeza havia algo de errado.
Se esquivando e se escondendo nas sombras da noite, a dupla consegue entrar no navio sem ser vista e descobre um conteiner de madeira onde poderiam caber até 25 bois. No canto do conteiner, eles avistam um pequeno baú trancado, porém, ao tentarem abrir o baú, que posteriormente descobrirão estar vazio, um dos tripulantes bate as portas do conteiner com força e grita: "Pegamos mais dois escravos!"
Dundra e Aginnan tentam quebrar a madeira, teletransportar para o lado de fora e arrombar a porta, mas não têm sucesso.
Alguns minutos depois alguém começa a falar do lado de fora e se apresenta como sendo o capitão da embarcação.
Nenhum dos dois responde.
Após mais algumas tentativas de comunicação, o capitão do navio fala com um dos tripulantes e logo o conteiner começa a ficar quente. A cada segundo que se passa, menos oxigênio fica disponível lá dentro e Dundra e Aginnan começam a perder a consciência até finalmente desmaiarem.

domingo, 8 de novembro de 2009

Capítulo II






Após seu breve descanso, o grupo de aventureiros decide explorar um pouco mais a área e tentar descobrir maiores informações sobre o local em que estão presos.
Ao se aproximarem de uma porta ouvem explosões e barulhos muito altos e decidem que talvez não seja uma boa idéia tentar abri-la. Voltando ao salão principal, Tubalcain, Aginnan e Daedrin se focam em resolver o enigma a sua frente enquanto Balin e Dundra exploram algumas outras salas. Ao chegarem a um saguão aberto, vêem alguma coisa voltando e, ao mesmo tempo escutando um barulho forte vindo da sala onde se encontram seus novos amigos. Ao voltar a sala percebem que há uma nova porta aberta e o enigma praticamente solucionado.
Dundra entra correndo na sala e salta ao mesmo tempo em que grita de alegria, mas percebe um clique no chão ao parar. Aginnan balança a cabeça em desaprovação e decide tentar aprontar com o tieflin, pegando sua corda e tentando amarrá-la aos pés de Dundra, ao invés de desarmar a armadilha. Ao se abaixar, percebe um barulho de asas batendo e um som agudo vindo do salão principal, ao olhar, vê novamente uma das criaturas aladas, prateada, com dentes grandes e afiados, voando para dentro da sala.
Daedrin lança alguns mísseis mágicos que passam sobre Aginnan e Dundra, enquanto Tubalcain se prepara para defender um ataque feroz da criatura alada.
Aginnan se levanta e, fazendo um laço rápido na corda em suas mãos, o joga na criatura e a prende pela pata. Se aproveitando da distração e ajudado por uma flecha lançada por Dundra, que ativa a armadilha e leva uma flechada, Tubalcain pega a corda de Aginnan e tenta puxar o Dragonete com força para que caia, porém sua força dá mais velocidade a criatura que salta em cima dele e o derruba no chão cravando suas garras no peito do guerreiro.
Dundra e Daedrin lançam flechas e mísseis mágicos em cima da criatura, o que dá tempo suficiente para que Aginnan role para o lado e recupere a corda solta. Com ela firme em suas mãos, usa uma magia de teleporte e reaparece sobre o dorso do animal, que o deixa irritado e dá tempo suficiente para Tubalcain empurrá-lo e conseguir se desvencilhar de suas garras que tentavam agarrar ferozmente sua cabeça.
O Dragonete fica enfurecido e começa a saltar e tentar acertar a todos na sala enquanto tenta jogar Aginnan contra a parede.
Durante sua investida desgovernada, a criatura acerta Balin que logo se recupera e lança uma magia de cura em Tubalcain, ajudando a fechar seus ferimentos. Aginnan não consegue se segurar por muito mais tempo e cai no chão, porém consegue segurar a corda em suas mãos e se firmar.
Livre de um dos incômodos, o Dragonete avança em Balin, porém é atingido por uma rajada de fogo de Daedrin e, ao tentar atacar, é puxado com força para trás pela corda presa por Aginnan. Dundra aproveita e acerta mais uma flecha em seu inimigo e Balin, utilizando algumas palavras mágicas, lança um raio de luz brilhante que incinera algumas regiões do corpo do Dragonete e o derruba finalmente no chão.
Ao descansarem, Balin sugere que o grupo volte a sala onde viu a criatura com Dundra e a vasculhem por alguma coisa que possa ajudá-los em sua fuga.
Tubalcain, Daedrin e Aginnan rebatem dizendo que seria muito perigoso enfrentarem alguma outra criatura neste momento, principalmente por terem uma batalha feroz no lado de fora da torre e também aproveitam para explicar que Daedrin conseguiu desativar as armadilhas do enigma e abrir a porta usando rajadas de fogo nas marcações desenhadas nas paredes e no chão.
Daedrin apenas balança a cabeça e se levanta, seguido por todos para que possam continuar seu caminho. No fim da sala há uma escada que sobe e provavelmente os leva para fora do lugar devido a claridade e aos sons de espadas e gritos do lado de fora.
O grupo sobe os degraus cautelosamente e chegam ao portal de entrada da torre. Há cerca de quarenta Drows e vinte Trogloditas lutando ferozmente.
Aginnan se vira para o grupo e diz: "O que vamos fazer agora? Podemos esperar a batalha terminar, sair correndo para um dos lados ou nos juntar a um dos lados". Antes que alguém pudesse responder, há uma explosão no campo de batalha e os aventureiros vêem uma bola verde, com cerca de dois metros de raio, explodindo no centro da batalha. Os corpos voam em todas as direções, mas a batalha continua.
Com a explosão, o grupo se descuida em se esconder e um dos Trogloditas os vê e, gritando para todos, começa a correr em direção a porta da torre.
Sem perder tempo, Daedrin corre para fora e para o lado esquerdo da torre, onde consegue ver as montanhas brancas bem ao longe e logo é seguido pelo restante do grupo. Ao correrem, percebem um ser do lado direito com fisionomia de gnomo, mas com altura de homem e alguns traços dos Draconatos; de seu peito saem tubos que são preenchidos por um líquido verde brilhando de um cilindro em suas costas. Seu nome era Luigi "Fogo Fátuo" Satrianni, mas ninguém ainda sabia.
Alguns Drows atiram algumas flechas no grupo, mas apenas conseguem atingir Dundra de raspão.
Luigi lança uma nova magia de fogo fátuo em direção ao grupo que corre deixando o Troglodita para trás, mas não conseguem se livrar da bola verde explosiva.
Tentando alguma vantagem, a fuga é conduzida em ziguezague, mas a magia continua a se aproximar.
Em um ato de quase desespero, Aginnan pega um dos frascos verdes que encontrou na torre e o bebe, porém começa a se sentir mal quase que instantaneamente e uma dor terrível irrompe de dentro de seu corpo. O líquido era ácido. Ele não conseguia correr mais, mas também não era preciso, a bola verde da magia de fogo fátuo havia chegado até o grupo e, ao englobá-los, explode ferozmente lançando-os para os lados. Balin consegue se proteger parcialmente da explosão, Daedrin se teleporta no último instante e não é ferido, Tubalcain e Dundra caem inconscientes com muitos sangramentos e Aginnan cai praticamente morto no chão.
Preocupado, Balin corre para o corpo de Aginnan enquanto diz a Daedrin: "Me ajude a colocar os corpos juntos". Daedrin observa a batalha ao longe, nota que não há mais nenhuma ameaça vindo em sua direção e vai auxiliar o Clérigo Balin que está estancando os ferimentos de Aginnan e lhe aplicando algumas magias de cura.
Ao terminar de juntar os corpos, Balin lança uma grande magia elaborada com pedidos a Pelor, sua divindade, e os ferimentos mais graves de Tubalcain, Dundra e Aginnan se fecham e eles acordam novamente.
Ao recuperar a consciência e o fôlego, o grupo segue para o Sul ciente que escaparam da morte e de inimigos poderosos.
Apesar dos ferimentos que, devido as magias de Balin estão se fechando aos poucos, o grupo precisa seguir viagem e se afastar o máximo que conseguirem da batalha em frente a torre.
Conforme avançam pelo caminho, Dundra percebe que há algo os seguindo por debaixo da areia. Após alertar seus companheiros, ainda andam mais alguns quilômetros antes que as criaturas saltem para fora da areia do deserto e os ataquem. São três seres compridos, com carapaças duras, boca comprida, garras afiadas e uma longa cauda.
Já esperando pelo confronto, o grupo se prepara para o combate.

Os três seres, chamados Kython, cercam Tubalcain e iniciam a investida, mas o guerreiro consegue se esquivar e atacá-los causando alguns cortes em suas carapaças. Dundra atira suas flechas a certa distância e Daedrin lança mísseis mágicos com eficiência nas criaturas.
Aginnan se coloca atrás de um dos Kython e desfere golpes mortais com sua adaga, mas é acertado por um golpe da cauda de seu oponente.
Daedrin lança um raio de fogo em uma das criaturas, o que acaba a afastando de Tubalcain que continua se defendendo e tentando desferir golpes de ataque.
Vendo que a situação estava se complicando, Balin lança uma magia impondo medo sobre uma das criaturas que começa a correr e deixa a área de combate se afastando cada vez mais.
Um dos Kythons avança sobre Tubalcain e consegue lhe roubar a espada de lâmina negra que estava embainhada.
Dundra acerta mais uma flecha em uma das criaturas que cai no chão morta.
Tubalcain, sentindo-se mais forte e revigorado, avança sobre o último Kython para recuperar o item perdido. Aginnan se junta a ele e, juntos, conseguem derrotá-lo.
Aginnan pega a arma perdida e a entrega a Tubalcain dizendo: "É melhor cuidar mais de seus pertences, pois parece que alguém está atrás dessa espada".
- Não creio que seja apenas alguém, mas muitas pessoas. Não pararam de nos atacar desde que a encontramos! - diz Tubalcain.
Balin se junta aos outros e se notifica que todos estão bem, que não precisam ser curados e novamente partem em direção ao Sul, onde acreditam que poderão ter mais informações para poderem recuperar suas memórias.
Os aventureiros passam mais três dias viajando em direção às montanhas brancas que estão cada vez mais perto, parando somente para comer alguma coisa e para acender uma fogueira e dormir. Durante a noite, os dois Eladrins apenas entram em transe e ficam em alerta para os perigos que os espreitam. Durante os três dias, tiveram de lutar contra outras criaturas que lhes atacavam e, claramente, queriam roubar a espada de Tubalcain, porém, no final do terceiro dia, o grupo avista ao longe uma fogueira.
Enquanto discutiam se deviam se apresentar, atacar ou simplesmente ignorar e dar a volta por algum dos lados do pequeno acampamento, uma das criaturas se levanta e anda um pouco em direção ao grupo, mas para logo em seguida para, o que Aginnan achou, urinar longe do acampamento.

Aginnan vai correndo em direção ao ser que tem pouco cabelo, pele escura com um pouco de pelos grossos em algumas áreas e vestimentas do tipo militar, porém que desconhecia. Quando chega mais perto, o Hobgoblin o avista e grita para seus companheiros que se levantam e se armam. Aginnan levanta sua mão direita indicando que está em paz, mas é recebido com sete flechas e uma delas nem sequer chegou perto, acertou o próprio Hobgoblin que estava em pé urinando.
Ao ver o ataque, Dundra começa a disparar flechas e Daedrin mísseis mágicos enquanto se aproximam aos poucos e dão cobertura a Aginnan. Tubalcain também corre para auxiliar no ataque seguido por Balin, porém ao se aproximarem, Aginnan ataca o Hobgoblin mais próximo que revida com um ataque fulminante de espada. Aginnan cai para trás desmaiado.
O grupo concentra seu ataque para proteger Aginnan que aos poucos se recupera e levanta. Tubalcain inicia o combate, dando as costas para Aginnan. Balin lança uma magia de ataque de raios dourados e outra de cura em Aginnan e Tubalcain. Dundra acerta mais um tiro e Daedrin continua se aproximando e atirando mísseis mágicos que fazem seu caminho em uma linha suave prateada.
Tubalcain e Aginnan derrubam o Hobgoblin mais próximo e avançam para os outros. Balin ataca o novo alvo com um raio de luz brilhante e dourada, o que o faz cair imediatamente morto no chão e com várias marcas de queimadura.
Percebendo que as criaturas estavam recuando e cada vez mais próximas umas das outras, Daedrin inicia uma série de gestos complicados e, ao erguer seus braços, uma bola de fogo surge entre os Hobgoblins fazendo com que três caiam instantaneamente. Após tentarem atacar Tubalcain e Aginnan sem sucesso, as criaturas percebem que Daedrin está movimentando a bola de fogo em sua direção e, sem ter para onde correr, acabam sendo mortos tentando continuar no combate.
Como já escureceu, o grupo aproveita o acampamento montado pelos Hobgoblins e passa a noite no local do combate. Todos estão muito quietos e cansados, com pouca comida e água, já que suas provisões eram para viagens muito curtas.
No sexto dia de viagem e sempre sendo atacados pelos Kythons, o grupo chega às montanhas e, tentando localizar a entrada das minas dos anões, começam a subir lentamente. Apesar de contrários à idéia, Tubalcain e Daedrin também sobem as montanhas. Há um pouco de vegetação e algumas árvores frutíferas que servem de alimento a todos.
Após algumas horas, o grupo começa a ouvir uivos e logo avistam lobos, mas que não são nada normais, pois sua pele parece ser podre e sua carne está exposta em alguns pontos do corpo.

Os lobos começam a correr em direção ao grupo salivando. Vendo sua aproximação e tentando se proteger, Daedrin conjura fogo em alguns galhos secos no chão, fazendo uma barreira de fogo que é transposta sem nenhum prejuízo pelos lobos que atacam ferozmente os braços e pernas dos aventureiros.
A batalha é rápida, mas os lobos são ferozes e conseguem morder todos. Após terminarem a batalha com ajuda de um dos frascos de ácido pego da torre, os aventureiros notam que seus machucados estão com aparência de podre e Balin não consegue fechar esses ferimentos. Como nada podem fazer agora, continuam sua caminhada para o topo da montanha.
Em seu terceiro dia de subida da montanha, não há mais árvores ou arbustos na montanha, somente pedras e neve. Em alguns pontos os aventureiros são obrigados a utilizar equipamentos de escalada, mas estão num ponto em que a subida não é tão difícil. Após algumas horas de subida, ouvem um rugido tão intenso, que o gelo começa a se desprender da montanha e inicia uma avalanche sobre o grupo.
- Corre! - grita Aginnan correndo e se jogando para o lado, enquanto todos tentavam sair do local, porém Daedrin e Balin não conseguem se mover com agilidade e rapidamente são soterrados pela neve. Sua sorte é que já estavam bem acima da montanha e após quinze minutos Tubalcain, Dundra e Aginnan conseguem desenterrá-los da neve.
- Mas o que foi isso? - pergunta Tubalcain.
- Não sei - responde Dundra - mas não parece nem um pouco amigável.
No dia seguinte, o grupo alcança o cume da montanha que, apesar de não ser a mais alta, proporciona excelente visualização de toda a região com muitas montanhas em direção ao Leste e ao Sul e deserto para o Norte e Oeste.
- Estamos muito longe das entradas das minas. - Diz Balin.
- Temos que descer de novo. Está muito frio aqui em cima e estamos com dificuldade de respirar - responde Dundra com o apoio de todos, porém, antes de iniciarem a descida, um novo rugido é ouvido e ao olharem em direção ao som, o grupo vê uma criatura gigantesca, com grossos pêlos brancos que começa a correr em sua direção.
- Acho melhor irmos logo. Não podemos com aquilo! - diz Dundra começando a descer a montanha.
Após duas horas de descida acelerada da montanha, o grupo começa a ouvir passos pesados e acelerados atrás deles e logo avistam o gigante branco que corre atrás deles. Tentando se livrar da criatura, o grupo começa a descer a montanha correndo e o perigo aumenta muito, pois o terreno é acidentado e muito íngreme.
O primeiro a sofrer com a criatura é Balin que tropeça e acertado pelas costas e lançado a frente do grupo caindo em uma rocha. Tubalcain ajuda Balin a se levantar e eles continuam correndo montanha abaixo. O gigante consegue rapidamente se aproximar do grupo e começa a lançar todos para frente. Apesar de se machucarem bastante, o gigante aparenta não estar querendo matar os aventureiros, quer apenas mandá-los embora de sua casa.
Após 2 horas de fuga e sendo arremessados de tempos em tempos, o grupo consegue deixar o gigante branco para trás, que volta a subir as montanhas, e conseguem parar para descansar, já que estão exaustos.
Com a metade do tempo que levaram para subir as montanhas e sem mais nenhuma comida, o grupo consegue descer as montanhas e acendem uma fogueira em uma clareira para poderem passar a noite e continuar a viagem no dia seguinte.